quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Bandeira branca


Revoltas dosadas em conta-gotas. Sangue derramado para chamar atenção . Não voltei para dizer o que queria nem tentei expressar minha dor, acredito que seja impossível, no mínimo muito difícil, não há certeza onde a dor viaja. A sala esfumaçada não me torna mais feliz que antes, e agora a poesia agonizante volta à sangrar e mostrar o peito aberto que outrora assustara navegantes desacostumados. A dor não tem tradução, e o quarto arrumado do filho falecido é a morada de minha amada sumida.

Os vermes circulam os corpos e sufocam. O cheiro de merda é insuportável , não consigo mais esperar aqui, não é possível. A podridão infesta-nos como um ovo jogado. Não espero mais nada , não acredito mais na ressurreição, minhas crenças foram abatidas. Cruzei espadas, larguei adagas e lancei à lança, estiei bandeira branca.

Não desisti, mas também não vou lutar mais. A guerra ficou suja demais para mim. As batalhas são cada vez mais sangrentas e perigosas, e não estou disposto à correr tais riscos novamente. Cheguei tarde? Parece que sim, mas não tem problema, você também chegou. Apenas espero que isso não acabe.

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