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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

"Talvez eu só precise de férias, um porre e um novo amor."

Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Praia Rasa

Darvin

Numa manhã de verão naquele mesmo lugar
Você sentada na areia e eu olhando o mar
Tudo o que eu podia ali fazer era lembrar
12 horas se passaram então pra que sonhar?

Pouco tempo tudo muda não dá pra tentar
Nada mais é colorido e nem nada será
Pois tudo então, tudo se acaba tão devagar...

Tudo passou tão depressa e logo se acabou
Foi tão bom o jeito como você me beijou
Um dia tão diferente tudo agradou
Aqueles poucos momentos que a gente passou

Pouco tempo tudo muda não dá pra tentar
Nada mais é colorido e nem nada será
Pois tudo então, tudo se acaba tão devagar...

Todos aqueles momentos que a gente passou
Não consigo esquecer como você beijou
Pois tudo mais, tudo ficou pra trás se acabou...

música aqui


(ps: favor não me matar por ouvir darvin)

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O Tempo - Móveis coloniais de acaju
A gente se deu tão bem
Que o tempo sentiu inveja
Ele ficou zangado e decidiu
Que era melhor ser mais veloz
E passar rápido pra mim

Parece que até jantei
Com toda a família e sei
Que seu avô gosta de discutir
E sua avó gosta de ouvir
Você dizer que vai fazer

O tempo engatinhar
Do jeito que eu sempre quis
Se não for devagar
Que ao menos seja eterno assim (2x)


Espero o dia que vem
Pra ver se te vejo
E faço o tempo esperar como esperei
A eternidade se passar
Nos meus segundos sem você

Agora eu já nem sei
Se hoje foi anteontem
Eu me perdi lembrando o teu olhar
O meu futuro é esperar
Pelo presente de fazer

O tempo engatinhar
Do jeito que eu sempre quis
Distante é devagar
Perto passa bem depressa assim (2x)

Pra mim, pra mim


Se o tempo se abrir talvez
Entenda a razão de ser
De não querer sentar pra discutir
De fazer birra toda vez
Que peço ao tempo pra me ouvir

A gente se deu tão bem
Que o tempo sentiu inveja
Ele ficou zangado e decidiu
Que era melhor ser mais veloz
E passar rápido pra mim


Eu que nunca discuti o amor
Não vejo como me render
Ah! Será que o tempo tem tempo pra amar
ou só me quer tão só?

E então, se tudo passa em branco eu vou pesar
A cor da minha angústia
e no olhar
Saber que o tempo vai ter que esperar

O tempo engatinhar
Do jeito que eu sempre quis
Se não for devagar
Que ao menos seja eterno assim (2x)



Quem acredita sempre alcança!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010


Ser Fluminense, por Artur da Távola

Ser Fluminense é entender esporte como bom gosto. É ser leal sem ser boboca e ser limpo sem ser ingênuo.

Ser Fluminense é aplicar o senso estético à vida e misturar as cores de modo certo, dosar a largura do grená, a profundidade do verde com as planuras do branco.

Ser Fluminense é saber pensar ao lado de sentir e emocionar-se com dignidade e discrição. É guardar modéstia, a disfarçar decisão, vontade e determinação. É calar o orgulho sem o perder. É reconhecer a qualidade alheia, aprimorando-se até suplantá-la.

Ser Fluminense não é ser melhor, mas ser certo. Não é vencer a qualquer preço mas vencer-se primeiro para ser vitorioso depois. É não perder a capacidade de admirar e de (se) colocar metas sempre mais altas, aprimorando-se na busca! E jamais perder a esperança até o minuto final.

Ser Fluminense é gostar de talento, honradez, equilíbrio, limpeza, poesia, trabalho, paz, construção, justiça, criatividade, coragem serena e serenidade decidida.

Ser Fluminense é rejeitar abuso, humilhação, manha, soslaio, sorrateiros, desleais, temerosos, pretensão, soberba, tocaia, solércia, arrogância, suborno ou hipocrisia. É pelejar, tentar, ousar, crescer, descobrir, viver, saber, vislumbrar, ter curiosidade e construir.

Ser Fluminense é unir caráter com decisão, sentimento com ação, razão com justiça, vontade com sonho, percepção com fé, agudeza com profundidade, alegria com ser, fazer com construir, esperar com obter. É ter os olhos limpos, sem despeito, e claro como a esperança.

Ser Fluminense, enfim, é descobrir o melhor de cada um, para reparti-lo com os demais e saber a cada dia, amanhecer melhor, feliz pelo milagre da vida como prodígio de compreensão e trabalho, para construir o mundo de todos e de cada um, mundo no qual tremulará a bandeira tricolor.


quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Genesis 1:29-30

"29Deus disse: 'Também vos dou todas as ervas com semente que existem à superfície da terra, assim como todas as árvores de fruto com semente, para que vos sirvam de alimento.30 E a todos os animais da terra, a todas as aves do céu e a todo ser vivente que se arrasta sobre a terra, tenho dado todas as ervas verdes como mantimento. E assim foi."

domingo, 24 de outubro de 2010

Since I've Been Loving You

"Since I've Been Loving You"

Working from seven to eleven every night,
It really makes life a drag, I don't think that's right.
I've really, really been the best of fools, I did what I could.
'Cause I love you, baby, How I love you, darling, How I love you, baby,
How I love you, girl, little girl.
But baby, Since I've Been Loving You. I'm about to lose my worried mind, oh, yeah.

Everybody trying to tell me that you didn't mean me no good.
I've been trying, Lord, let me tell you, Let me tell you I really did the best I could.
I've been working from seven to eleven every night, I said It kinda makes my life a drag.
Lord, that ain't right...
Since I've Been Loving You, I'm about to lose my worried mind.

Said I've been crying, my tears they fell like rain,
Don't you hear, Don't you hear them falling,
Don't you hear, Don't you hear them falling.

Do you remember mama, when I knocked upon your door?
I said you had the nerve to tell me you didn't want me no more, yeah
I open my front door, hear my back door slam,
You must have one of them new fangled back door man.

I've been working from seven, seven, seven, to eleven every night, It kinda makes my life a drag...
Baby, Since I've Been Loving You, I'm about to lose, I'm about lose to my worried mind.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010


Cada um tem a sua bola numerada e que não pode ser embocada. Cada um defende a sua e atira na do outro. Aquele se defende e atira na do outro. Assim, assim, vão os homens nas bolas. Cada homem tem uma bola que tem duas vidas. Se a bola cai o homem perde uma vida. Se perder duas vidas poderá recomeçar com o dobro da casada. Mas ganha uma vida só...




Fervia no Joana d'Arc o jogo triste da vida



João Antônio

quarta-feira, 7 de abril de 2010

I bet that you look good on the dancefloor



Stop making the eyes at me, I'll stop making the eyes at you
And what it is that surprises me, is that I don't really want you to
And your shoulders are frozen, cold as the night
Over you're an explosion, you're dynamite
Your name isn't Rio, but I don't care for sand
Lighting the fuse might result in a bang
I bet that you look good on the dancefloor
I don't know if you're looking for romance or...
I don't know what you're looking for
Said I bet that you look good on the dancefloor
Dancing to electro-pop like a robot from 1984
From 1984

I wish you'd stop ignoring me,
because you're sending me to despair
Without a sound you're calling me,
and I don't think it's very fair
That your shoulders are frozen, cold as the night
Oh you're an explosion, you're dynamite
Your name isn't Rio, but I don't care for sand
Lighting the fuse might result in a bang
Oh there int no love no, Montague's or Capulets
just banging tunes in DJ sets and
Dirty dancefloors and dreams of naughtiness


quarta-feira, 10 de março de 2010

Salve o mestre- 16 anos de sua morte.




Ontem, dia 09/03/2010, foi o aniversário de morte do maior gênio da literatura mundial. Se estivesse vivo ele teria hoje 89 anos, mas infelizmente o câncer o levou. Devem saber que me refiro à Charles bukowski.

Foi um escritor nascido na Alemanha, mas criado em LA. Um escritor marginal, beat, alternativo, alcoolatra, vagabundo, ou qualquer outro adjetivo que queiram dar à ele. Na realidade era um menino atordoado por seus traumas, nada além disso.

Quem ainda não leu nada dele, corre até qualquer livraria e procure na estante da LP&M pocket algum livro dele, qualquer um.
Quem já leu, sabe do que falo.


Livros publicados no Brasil

-Romances:

. Factótum
. Misto quente
. Hollywood
. Notas de um velho safado
. Pulp
(romances esgotados)

. Mulheres
. Cartas na Rua

- Contos:
. Numa Fria
. Crônica de um amor louco - Ereções, Ejaculações e exibicionismos parte 1
. Fabulário geral do delírio cotidiano - Ereções, Ejaculações e exibicionismos parte 2


-Poesia
. O amor é um cão dos diabos

Todos lançados pela LP&M

Enfim, quem nunca tiver lido o velho safado, faça um favor a si mesmo e leia
Uma linda poesia dele:

http://poetrypill.blogspot.com/2010/02/young-man-on-bus-stop-bench.html



Fique em Paz Grande mestre!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Black













Hey...oooh...
Sheets of empty canvas,
Untouched sheets of clay...
Were laid spread out before me
As her body once did.

Oh all five horizons
Revolved around her soul
As the earth to the sun

Now the air I tasted and breathed
Has taken a turn
Oh and all I taught her was everything
Oh I know she gave me all that she wore
And now my bitter hands
Shake beneath the clouds
Of what was everything?

All the pictures have
All been washed in black,
Tattooed everything

I take a walk outside
I'm surrounded by some kids at play
I can feel their laughter so why do I sear?

Oh and twisted thoughts that spin 'round my head
I'm spinning, oh, I'm spinning
How quick the sun can drop away

And now my bitter hands cradle broken glass
Of what was everything?
All the pictures have, all been washed in black, tattooed everything...

All the love gone bad
Turned my world to black
Tattooed all I see, all that I am, all I'll be...yeah...

I know someday you'll have a beautiful life,
I know you'll be a star,
In somebody else's sky,
But why, why, why
Can't it be, oh can't it be mine?



we belong, we belongog toghether toguether

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Uma senhora ressaca [trecho]

"[...]- Bebem alguma coisa?
-Não -disse Gwen.
-Scotch com soda-disse Kevin.
Tom preparou a bebida e entregou-a a Kevin. Kevin virou-a de vez, enfiou a mão no bolso para pegar um cigarro.
-Kevin-disse Tom- , nós decidimos que você deve procurar um psicólogo.
-Não um psiquiatra?
-Não, um psicólogo.
- Tudo bem.
- Vamos manter isso em segredo por você e pelas meninas.
-Obrigado
-Kevin, só tem uma coisa que a gente gostaria de saber. Somos seus amigos. Temos sido amigos há anos.Só uma coisa. Porque você bebe tanto ?
-Diabos, não sei. Acho que o principal é que simplesmente fico de saco cheio. "

Charles Bukowski no conto "uma senhora ressaca , livro "numa fria"páginas cem e cento e um. Editora LPM pocket.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Ataque de cafeína e laranjas!




Sob ataque de explosivos de origem vegetal! Cuidado, cairá em cima de sua cabeça! Eles querem sua morte, eles querem minha morte, eles querem suco de laranja! Odeio suco de laranja! Seria eu um deles? Seria eles humanos acefalados? Cuidado! Mais uma explosão, por pouco não te matou! Preciso de café, mais café, mais café, mais café! Não tenho o que fazer então bebo café, cafeína, cafeína, cafeína! Um expresso por favor, com muito açúcar! Mais açúcar!
Merda eles não desistem! Corre, mais explosões, estão por todos os lados! Até que eu gosto deles, são ums belos filhas da puta, mas são ums filhas da puta legais. Mererda, mais bomba de laranja! Corre filha da puta, Corre, eles vão te pegar! Não deixe isso acontecer PORRA! Merda, quero mais café...Mais um expresso por favor, caralho!




Cupid come from coffee cup
Sickly heavy heart
Semi-set adrift in your
Lifted sugar eye
Come back down I'm waiting here
And lick me with your fire
Connected silver tounges
Our lips beside
Everytime I look at you
Pins me to the ground
Mirror me your memories please
And let me help you down
Swallow me into your bed
With glimpses of your thighs
Forget your vanity
Come cupid come

My bloody valentine- Cupid come


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009



Give me novacaine!





Drain the pressure from the swelling,

The sensation's over whelming,

Give me a long kiss goodnight and everything will be alright

Tell me that I won't feel a thing

So give me novacaine

domingo, 25 de outubro de 2009

O grande rebu da maconha








uma noite destas fui a uma reunião - em geral, o tipo do troço chato pra mim. sou, essencialmente, um solitário, um velho beberrão que prefere beber sozinho, talvez com a única esperança de escutar um pouco de Mahler ou Stravínsky no rádio. mas lá estava eu no meio da turba enlouquecedora. não vou explicar o motivo, pois isso já é outra história, talvez mais longa, e mais confusa ainda, porém, ao ficar ali parado, tomando meu vinho, ouvindo o The Doors, os Beatles ou o Airplane, misturados com todo aquele vozerio, percebi que precisava de um cigarro. estava a zero. como sempre, aliás. aí vi aqueles 2 rapazes por perto, braços caídos e oscilando; os corpos frouxos, feito gansos; pescoços girando; os dedos das mãos à vontade - em suma, pareciam feitos de borracha, um elástico que se esticava, puxava e partia. cheguei perto:- ei, caras, um de vocês tem cigarro?
foi o que bastou pra borracha começar a saltar. fiquei ali parado, olhando, enquanto se entusiasmavam, estalando os dedos e batendo palmas.- aqui ninguém fuma, bicho! BICHO, a gente não ... fuma.- não, bicho, a gente não fuma, não desse tipo, não, bicho.flipflop. flipflap. que nem borracha.- nós vamos pra M-a-li-buuu, cara! é, nós vamos pra Malfii-bUUUU! bicho, nós vamos pra M-a-li-buuuuuu!- é isso aí, cara!- é isso aí, bicho!flípflap. ou, flapflap.
não podiam me dizer simplesmente que não tinham cigarro. precisavam me impíngir aquele lance de religião: cigarro era pra gente careta. estavam indo pra Malibu, pra algum lugar onde iam "ficar numa boa", curtindo um pouco de erva. faziam lembrar, em certo sentido, essas velhinhas paradas pelas esquinas, vendendo "0 Atalaia". essa turma toda que vai de LSD, STP, maconha, heroína, haxixe, e remédio pra tosse, sofre da comichão d`O Atalaia": você tem que estar na nossa, cara, senão sifu, tá fora. esse lance é permanente e, pelo visto, uma OBRIGAÇÃO com quem usa esses baratos. não admira que a toda hora vão em cana - não sabem ser discretos - com o que lhes dá prazer; têm que APREGOAR que estão por dentro. e, o que é pior, tendem a ligar isso com a Arte, o Sexo, com o ambiente de Protesto. o Deus do Ácido deles, Leary, lhes diz: "desistam da luta. me sigam." aí aluga um auditório aqui na cidade e cobra 5 pratas por cabeça de quem quiser ouvir ele falar. depois chega Ginsberg, junto com ele. e proclama que Bob Dylan é um grande poeta. autopropaganda dos que ganham manchetes posando de maconheíro. América.
mas mudemos de assunto, porque isso também já é outra história. este negócio, do jeito que eu conto, e do jeito que é, tem braços à beça e pouca cabeça. mas, voltando aos rapazes que estão na crista da onda, os cucas de maconha. a linguagem que usam. chocante, bicho. tem tudo a ver. o pedaço. maneiro. bacana. cafona. careta. embalo. de repente. xará. coroa. por aí, e não sei mais o quê. já ouvi essas mesmas frases - ou seja qual for o nome que se queira empregar - quando tinha 12 anos em 1932. deparar com tudo isso de novo, 25 anos depois, não contribui muito pra se simpatizar com o usuário ' ainda mais quando considera que são o que pode haver de atual. grande parte dessa gíria se deriva do pessoal que usava drogas da pesada, a turma da colher e da agulha, e também dos velhos músicos negros das orquestras de jazz. a terminologia dos que estão de fato "por dentro" já mudou, mas os pretensos modernosos, como dupla a quem pedi cigarro - esses ainda falam no estilo de 1932.
e essa história de dizer que quem fuma maconha acaba produzindo arte, é, no mínimo, duvidosa. De Quincey escreveu coisas bem razoáveis, e "O comedor de ópio", apesar de ser leitura muito agradável, tem trechos do maior tédio. e está na índole de quase todos os artistas tentar quase tudo. são curiosos, desesperados, suicidas. mas a maconha vem DEPOIS que a Arte já está ali, que o artista já existe. não é ela que produz a Arte. mas se torna, com freqüência, o pátio de recreação do artista consagrado, uma espécie de comemoração da vida, essas festinhas de embalo, e, também um campo de observação, bom pra cacete, pro artista surpreender as pessoas com a calça espiritual arriada ou, se não, tanto menos resguardadas.
na década de 1830, as festinhas de embalo e orgia sexual de Gautier eram o assunto de Paris. todo mundo também sabia que Gautier escrevia poemas nas horas vagas. hoje, as festas é que são relembradas.
saltando pra outro braço desta história: não ia gostar nem um pouco de ir em cana por uso e/ou porte de erva. seria o mesmo que ser acusado de estupro por cheirar calcinha no secador da vizinha. a erva, simplesmente, não é tão boa assim. a maior parte do efeito é causada pela predisposição mental de acreditar que a gente vai entrar numa boa. se fosse substituída por outro macete, que não fosse droga, mas tivesse o mesmo cheiro, a maioria dos usuários acabaria sentindo efeitos idênticos: "ei, xará, isto é troço FINÍSSIMO, material de primeira!"
quanto a mim, prefiro cá as minhas cervejinhas, não me meto com sujeira não por causa da polícia, mas porque esse negócio me chateia e causa pouco efeito. admito, no entanto, que o barato provocado pelo álcool e por dona "mary" seja diferente. é possível ficar alto com a erva e nem sentir; com a birita a gente, em geral, sabe muito bem o que está fazendo. eu, sou da velha guarda: gosto de saber o que faço. mas se você preferir maconha, ácido ou seringa, não tenho nada contra. o problema é seu e, se achar que assim é que deve ser, tudo bem assunto encerrado.
já basta o número de comentaristas sociais de escasso QI que existe por aí. por que deveria acrescentar o meu sarcasmo privilegiado? que não ouviu ainda essas velhas que vivem dizendo: "oh, acho simplesmente ATROZ o que essa juventude anda fazendo por aí, com todas essas drogas e sei lá mais o quê! que coisa horrível!" e aí a gente olha pra ela: sem olhos, sem dentes, sem cérebro, sem alma, sem bunda, sem boca, sem cor, sem ânimo, sem humor, sem nada, apenas um sarrafo ambulante, e a gente fica pensando o que o chá com bolinhos, a igreja e a bonita casa de esquina fizeram por ELA. e os velhos às vezes ficam bem agressivos com o que uma parte da juventude anda fazendo - "que diabo, trabalhei DURO a vida inteira!" (eles acham que isso constitui uma virtude, quando a única coisa que prova é que o sujeito não passa de um perfeito idiota) "esse pessoal quer ganhar tudo sem fazer NADA! passando o tempo todo sentado pelos cantos, estragando o corpo com drogas, esperando viver às custas da riqueza da terra!"
aí a gente olha pra ELE:que dúvida.está só com inveja. foi tapeado. perdeu os melhores anos se fodendo todo por aí. o que gostaria, mesmo, era de cair na gandaia. se pudesse recomeçar a vida. só que não pode. por isso agora quer que os outros sofram como ele sofreu.
e, de modo geral, é isso aí. o pessoal da maconha faz um bicho de sete cabeças com essa porra de erva e o público não fica atrás. e a polícia não tem mãos a medir, levando em cana e crucificando tudo quanto é maconheiro que lhes cai nas garras, e a bebida é permitida por lei até que a gente bebe demais, é preso na rua e aí então vai pra cadeia. pode se dar o que se quiser pra raça humana que ela acaba esgravatando, arranhando, vomitando e mijando em cima. se legalizarem a maconha, os e.u.a. ficarão mais cômodos, mas não muito melhores. enquanto houver tribunais, prisões, advogados e leis, serão utilizados.
pedir a eles pra legalizar a maconha equivale a pedir pra que passem manteiga nas algemas antes de colocá-las na gente. o que está te incomodando é outra coisa - por isso você recorre à maconha ou ao uísque, aos chicotes e roupas de borracha, ou músicas estridentes tocadas num volume tão alto que, porra, nem dá pra pensar. ou a hospícios, bucetas mecânicas ou 162 partidas de beisebol por temporada. ou ao vietnã, israel ou ao medo de aranhas. o amor da gente lavando a dentadura postiça amarelada na pia antes da foda.
existem respostas fundamentais a questões delicadas. nós ainda estamos brincando comas segundas porque não somos suficientemente homens nem suficientemente francos pra dizer o que precisamos. durante séculos julgou-se que talvez fosse o Cristianismo. depois de lançar os fiéis aos leões, permitimos que nos lançassem aos cachorros. pensou-se que o Comunismo pudesse ser um pouco melhor pro estômago do homem comum, mas pouco fez por sua alma. agora brincamos com drogas, supondo que há de abrir novos horizontes. o Oriente vem usando isso há mais tempo que a pólvora. descobriram que sofrem menos e morrem mais. maconhar ou não maconhar. "nós vamos pra M-a-l-i-buuu, cara! é, nós vamos pra MALLLLL-i-bUUUUU!"
com licença, vou enrolar um pouco de Bull Durham.quer dar uma tragada?



Charles Bukowski Extraído de 'Fabulário Geral do Delírio Cotidiano'

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

como ser um grande escritor


Você tem que trepar com um grande número de mulheres, belas mulheres e escrever uns poucos e decentes poemas de amor, e não se preocupe com a idade e/ou com os talentos frescos recém-chegados, apenas beba mais cerveja e mais cerveja, e vá às corridas pelo menos uma vez por semana e vença se possível. Aprender a vencer é dificil - qualquer frouxo pode ser um bom perdedor, e não esqueça do Brahms e do Bach e também da sua cerveja. Não exagere no exercício, durma até ao meio-dia. Evite cartões de crédito ou pagar qualquer conta no prazo. Lembre-se que nenhum rabo no mundo vale mais do que 50 pratas (em 1977) e se você tem a capacidade de amar, ame primeiro a si mesmo, mas esteja sempre alerta para a possibilidade de uma derrota total mesmo que a razão para essa derrota pareça certa ou errada - um gosto precoce da morte não é necessariamente um coisa má. Fique longe de igrejas e bares e museus, e como a aranha seja paciente - o tempo é a cruz de todos, mais o exílio, a derrota, a traição, todo esse esgoto. Fique com a cerveja. A cerveja é o sangue contínuo, uma amante contínua. Arrange um grande máquina de escrever e assim como os passos que sobem e descem do lado de fora da sua janela bata na máquina, bata forte, faça disso um combate de pesos pesados. Faça como um touro no momento do primeiro ataque e lembre dos velhos cães que brigavam tão bem: Hemingway, Céline, Dostoiévski, Hamsun. Se você pensa que eles não ficaram loucos em quartos apertados assim como este em que agora você está, sem mulheres, sem comida, sem esperança, então você está pronto. Beba mais cerveja. Há tempo, e se não há está tudo certo também.
Bukowski - O amor é um cão dos diabos


acho que vou seguir isso , ai quem sabe um dia escrevo uns textos legais!